
Pesquisadores, ambientalistas e técnicos que atuam na conservação da biodiversidade se reúnem virtualmente na Comissão Especial de Fiscalização da BR-101 nesta quinta-feira (17), às 14 horas. Na pauta está a apresentação a deputados do projeto que prevê o contorno da Reserva Biológica de Sooretama pelo lado oeste, pois o trecho de 25 quilômetros que corta a área preservada não deve ser duplicado pela concessionária Eco101. A reunião terá transmissão ao vivo pela TV Assembleia e pelo canal da Assembleia Legislativa no YouTube.
O professor do Departamento de Biologia da Ufes Aureo Banhos dos Santos explica que o desvio a oeste causaria menos impacto ambiental e passaria por uma região já degradada. Englobaria inclusive a zona urbana de Linhares, com início no Trevo de Bebedouro, antes da zona de amortecimento da Floresta Nacional de Goitacazes, e terminaria na altura do Trevo de Água Limpa, no município de Jaguaré.
Segundo estima, o desvio teria extensão de 90 quilômetros, aumentando em 25 quilômetros o percurso atual pela BR-101. No entanto, analisa o professor, todo esse trecho seria duplicado e tornaria a viagem mais rápida porque não passaria por dentro de municípios e da reserva, como acontece hoje, o que acaba aumentando o tempo de deslocamento. Também seria mais econômico e seguro, garante.
De acordo com ele, o desvio sugerido a leste não seria interessante uma vez que passaria por regiões ambientais protegidas por lei, como o mosaico da foz do Rio Doce e da Floresta Nacional de Goitacazes. Ele defende que a reserva e demais áreas de conservação têm importância ambiental para o mundo inteiro. “A rodovia é um vetor de desenvolvimento socioeconômico, mas antagônica à vocação da área que prima pelo desenvolvimento sustentável”, pontua.
Desde a década de 70, quando a BR-101 foi construída no trecho capixaba, inclusive já passando pela reserva de Sooretama (existente desde a década de 1940), foi possível ver uma mudança na paisagem, avalia o biólogo. Caso o desvio a oeste saia do papel, o trecho da rodovia federal entre Linhares e Sooretama assumiria importância para o deslocamento de moradores da região e no escoamento de produtos.
Durante a reunião, o professor e demais participantes esperam detalhar a sugestão a fim de que os parlamentares a levem para a concessionária Eco101. Conforme destaca, o problema para a duplicação da BR não é a Reserva de Sooretama, mas sim a ausência de um projeto rodoviário para contornar a área, que não foi apresentado pela empresa.
Convidados:
- Aureo Banhos. Professor do Departamento de Biologia, do Centro de Ciências Exatas, Naturais e Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Biólogo e doutor em Genética, Conservação e Biologia Evolutiva.
- Ana Carolina Srbek de Araújo. Professora titular no Programa de Pós-graduação em Ecologia de Ecossistemas e no Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da Universidade Vila Velha. Bióloga e doutora em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre
- Andressa Gatti. Diretora-executiva do Instituto Pró-Tapir para a Biodiversidade. Bióloga e doutora em Biologia Animal.
- Antônio de Pádua Almeida. Presidente do Conselho do Mosaico de Unidades de Conservação da Foz do Rio Doce e chefe da Reserva Biológica de Comboios.
- Eduardo de Sá Mendonça. Professor do Departamento de Agronomia, do Centro de Ciências Agrárias e Engenharia da Ufes. Engenheiro Agrônomo e PhD em Ciência do Solo.
- Eliton Lima. Chefe da Reserva Biológica de Sooretama e conselheiro do Mosaico de Unidades de Conservação da Foz do Rio Doce
- Leonardo Merçon. Fundador e voluntário do Instituto Últimos Refúgios. Designer gráfico, fotógrafo de natureza e documentarista.
- Luiz Fernando Silva Magnago. Professor do Centro de Formação em Ciências Agroflorestais da Universidade Federal do Sul da Bahia. Biólogo e doutor em Botânica.
- Marcelo Renan de Deus Santos. Presidente do Instituto Marcos Daniel. Médico veterinário e doutor em Ecologia de Ecossistemas.
- Thiago Silva Soares. Pesquisador associado ao Museu de História Natural do Sul do Estado do Espírito Santo, da Ufes. Biólogo e Doutor em Zoologia.
- Yhuri Cardoso Nóbrega. Diretor-executivo do Instituto Marcos Daniel. Médico veterinário e Doutor em Ecologia de Ecossistemas.
Por Marcos Bonn
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