Saúde
A cada ano, mais de 11 mil casos da doença são confirmados
O câncer da boca é um tumor maligno que afeta lábios, gengivas, bochechas, céu da boca, língua (principalmente as bordas) e a região embaixo da língua. É mais comum em homens acima dos 40 anos, estando entre os mais frequentes no sexo masculino na região Sudeste, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Um agravante é que a maioria dos casos é diagnosticada em estágios avançados.
O cirurgião de cabeça e pescoço Marco Homero de Sá explica que o grande causador da doença é o consumo de tabaco em todas as suas formas. “Além do tabagismo, mesmo o eletrônico, a ingestão frequente de bebidas alcoólicas, exposição à radiação ultravioleta sem proteção e contágio por papilomavírus humano (HPV) também contribuem diretamente para o surgimento do câncer.”
O especialista reforça a importância do autoexame da boca. “O paciente deve olhar e apalpar as regiões da boca em frente ao espelho e em um lugar com boa iluminação. Para facilitar a memorização das estruturas da boca a serem examinadas no autoexame bucal, foi criada a sigla: BLLAP (Bochecha, Lábios, Língua, Assoalho bucal e Palato).”
É importante ficar atento a alterações sensoriais ou no aspecto das estruturas bucais, pois os sintomas da doença, como lesões internas, podem ser percebidos no cotidiano.
Alguns sintomas:
– Lesões na cavidade oral, ou nos lábios, que não cicatrizam ao longo de duas semanas;
– Manchas avermelhadas ou esbranquiçadas na língua, gengivas ou céu da boca;
– Dificuldades ou dores na mastigação e no ato de engolir;
– Sensação de que há algo atravessado na garganta;
– Crescimento de ínguas no pescoço.
Perceber essas alterações é essencial, pois, quando diagnosticado logo no início, as chances de a doença causar sequelas são menores. A descoberta tardia de um tumor maligno na boca pode comprometer a fala, a mastigação, a deglutição e a estética da face.
Marco Homero explica, ainda, que o tratamento dessa neoplasia é principalmente cirúrgico, mas muitas vezes pode envolver radioterapia e até quimioterapia. Em casos de doenças mais avançadas, a imunoterapia e a terapia alvo, que tratam as células com uma alteração específica, são também opções utilizadas.
A importância do dentista
A consulta periódica com um dentista, ao menos duas vezes ao ano, é essencial, afinal, é durante esse atendimento que o profissional pode realizar uma inspeção mais criteriosa da boca. Além disso, uma higiene oral adequada reduz o risco de câncer bucal, destaca a odontologista oncológica Beatriz Coutens.
“A higiene bucal incorreta aumenta as chances de desenvolvimento de câncer de boca e já temos estudos que mostram isso. Portanto, é muito importante adotar, desde a infância, hábitos de higiene oral, como escovação adequada, uso do fio dental e ir regularmente ao dentista. Algumas lesões cancerígenas na boca podem, inclusive, ser detectadas precocemente durante uma consulta ao dentista”, afirmou a profissional.
Por Beatriz Marcarini
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