Fotos: Divulgação

O Outubro Rosa é mundialmente conhecido por promover a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama — especialmente no Dia Internacional de Combate ao Câncer de Mama, celebrado em 19 de outubro. Neste ano, o movimento ganha um novo olhar: a inclusão da população trans nas ações de cuidado e conscientização. Embora o foco histórico da campanha tenha sido as mulheres cisgênero, profissionais da saúde reforçam que homens e mulheres trans também possuem mamas e devem ser incluídos nas estratégias de saúde preventiva. A ideia não é criar alarde, mas ampliar o diálogo sobre prevenção e acolhimento.

“O Outubro Rosa precisa ser um movimento para todos os corpos. Cada pessoa tem uma história e uma anatomia específica, e a medicina deve reconhecer essas particularidades com respeito e ciência”, explica Dr. José Carlos Martins Jr., médico cirurgião fundador da Transgender Center Brazil”., centro de referência nacional em cirurgias de afirmação de gênero.

Dr. José Carlos Martins Jr é autor do livro Transgêneros – orientações médicas para uma transição segura e fundador do Transgender Center Brazil, referência nacional no atendimento humanizado e multidisciplinar à população trans

Mulheres trans que fazem uso prolongado de hormonioterapia com estrogênio podem se beneficiar do acompanhamento médico periódico, especialmente após alguns anos de tratamento. Já homens trans que realizam a cirurgia masculinizadora (“top surgery”) costumam ter risco bastante reduzido de alterações mamárias, mas ainda se beneficiam de orientações médicas personalizadas, conforme o tipo de cirurgia e o histórico familiar.

“Mais importante do que falar em risco é garantir que todos tenham acesso, escuta e acolhimento. Ainda vemos pessoas trans que deixam de fazer exames por constrangimento ou por não encontrarem profissionais preparados”, destaca Dr. Martins.

Organizações internacionais, como a WPATH (World Professional Association for Transgender Health) e a Endocrine Society, já estabelecem recomendações para o rastreamento mamário em pessoas trans, levando em conta tempo de uso hormonal, idade e histórico familiar. No Brasil, ainda faltam protocolos oficiais que garantam atendimento padronizado e sensível à diversidade de corpos.

No cenário nacional, algumas iniciativas começam a apontar caminhos para essa mudança. Um exemplo é a campanha “Outubro+”, promovida pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que incluiu homens trans como modelos em suas peças de conscientização sobre saúde das mamas. A ação demonstra que o movimento pode evoluir: não apenas como símbolo de prevenção, mas também como instrumento de visibilidade e inclusão de diferentes corpos.

Outro exemplo importante vem da Prefeitura do Recife (PCR), que neste Outubro Rosa ampliou a faixa etária para os exames de mamografia na rede municipal de saúde. A partir de 1º de outubro, o público-alvo — antes formado por mulheres e homens trans entre 50 e 69 anos — passou a incluir pessoas até 74 anos, com acesso facilitado e sem necessidade de agendamento. Durante o mês, serão ofertadas 3.200 vagas no Mamógrafo Móvel. “O primeiro passo é informar e incluir. O segundo é formar profissionais de saúde que entendam as especificidades da população trans e saibam orientar sem julgamento”, acrescenta.

O Outubro Rosa é, acima de tudo, um lembrete de que o autocuidado e o diagnóstico precoce salvam vidas. Expandir essa mensagem para pessoas trans é reconhecer que prevenção também é um ato de respeito e cidadania. “Cuidar da saúde das mamas é cuidar da própria história. Não se trata apenas de biologia, mas de dignidade”, conclui o Dr. Martins.

Por Jacy Abreu


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