Saúde | ES
Atenção especializada é voltada para pacientes, familiares e toda a rede de apoio

O Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam/Ufes), completou nove anos de atividade em 2024 com uma série de ações desenvolvidas e mais de 1.300 acolhimentos que reúnem centenas de histórias de pacientes com doenças graves e progressivas e seus familiares. O Hucam é um dos 45 hospitais administrados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
A médica geriatra Gleida de Oliveira Lança explicou que os cuidados paliativos têm foco em prevenir e aliviar sofrimento físico, psicossocial e espiritual e promover qualidade de vida do paciente com doenças ameaçadoras a vida e de seus familiares. Gleida é coordenadora da Comissão de Cuidados Paliativos – composta por uma equipe multidisciplinar, atualmente com 13 membros (oito consultores e cinco executores).
Ela disse que o cuidado paliativo, ao contrário do que pensa o senso comum, não é destinado exclusivamente a casos em que não há mais condições de tratamento curativo e fase final. “Não se dissocia a atenção paliativa do tratamento da doença de base, que continua de acordo com a necessidade do paciente, considerando caso a caso. É uma atenção individualizada que não é voltada para a doença, mas para o sujeito”, explicou.
De acordo com os profissionais da Comissão, a família do paciente é acolhida, ouvida e considerada nas decisões e planos de cuidados que têm como foco a qualidade de vida e o conforto do paciente. E, para que isso ocorra, é necessário que a equipe dê informações realistas da doença e do prognóstico, em uma abordagem respeitosa e empática.
O Serviço de cuidados paliativos age sempre que é convocado pelos profissionais da assistência e passa a acompanhar em conjunto com a equipe assistencial, aliviando o sofrimento físico, psicológico, social e espiritual, e concomitantemente “educando” as equipes a “paliarem”, ou seja, a cuidarem de maneira integrada todas as dimensões do sofrimento.
Segundo explicou a coordenadora da Comissão, a equipe pode fazer sugestões farmacológicas ou não farmacológicas a fim reduzir o desconforto do paciente. Por isso, a equipe de cuidados paliativos busca meios para o melhor manejo clínico e psicossocial de cada paciente atendido, lembrando que a doença pode evoluir para a morte e todos deverão estar preparados para esse momento, tanto a equipe quanto a família e o próprio paciente. “O objetivo principal é que o paciente tenha direito à dignidade até o fim de sua vida”, explicou.
Os atendimentos ocorrem de acordo com as demandas do paciente. Em alguns casos, são liberados os alimentos preferidos do paciente, em outros, realizados encontros com pessoas significativas, inclusive as crianças da família, ou ainda, a extensão do horário de visita no hospital ou a promoção de um bate-papo pela internet com uma pessoa querida, entre outras ações. “São coisas que importam para o paciente neste momento”, resumiu a geriatra.
Segundo ela, os cuidados paliativos resgatam o princípio de curar quando possível, aliviar quando necessário e consolar sempre. “Aliviar e consolar necessita de treinamento e desenvolvimento através de práticas científicas e compassivas, em busca da integridade humana e centrada no paciente, seus valores e crenças”, acrescentou. A Comissão atua na capacitação das equipes, através dos acompanhamentos conjuntos, de reuniões científicas, discussões de casos clínicos, aulas e treinamentos nos temas relacionados, contribuindo com a formação prática dos estudantes e residentes.
Pioneirismo e referência
A equipe de cuidado paliativo do Hucam-Ufes/Ebserh é pioneira em várias ações e é um dos primeiros serviços nesta área no Estado, com profissionais que são referência nesta atividade. Recentemente, os paliativistas do hospital participaram do I Seminário Estadual de Cuidados Paliativos, ocasião em que foi lançada a Política Estadual de Cuidados Paliativos, que é alinhada com a política nacional sobre o tema.
No encontro, a equipe do Hucam apresentou os trabalhos desenvolvidos no hospital e as atividades do grupo Sentinela, que atua no acolhimento ao luto neonatal. A comissão está planejando ampliar a atuação de cuidados paliativos na área infantil do Hucam, pois, neste momento, a equipe atende principalmente as unidades de internação de adultos.
Programação
Além da expansão das atividades, para celebrar os nove anos de atuação, a Comissão do Hucam-Ufes está organizando o simpósio “Cuidados Paliativos em Todos os Ciclos da Vida”, previsto para acontecer em outubro, com a participação de referências nacionais, com o objetivo de apresentar resultados de trabalhos e aprofundar a temática de cuidados paliativos em nossa região.
Da Redação | Com informações da Ascom/Unidade de Comunicação Regional 23/HUCAM-UFES
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