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Cirurgia realizada no Hospital Vitória Apart combina marcapasso leadless e cardiodesfibrilador subcutâneo em caso raro de cardiopatia avançada
Um procedimento inédito no Espírito Santo marcou um avanço significativo no tratamento de arritmias cardíacas: o primeiro implante de um marcapasso sem fio (leadless) em um paciente que já era portador de um cardiodesfibrilador subcutâneo (S-ICD). A cirurgia foi realizada no último sábado (31), no Hospital Vitória Apart, na Serra. Pela primeira vez, um capixaba passa a contar com dois dispositivos cardíacos de alta tecnologia, ambos sem fios, implantados no corpo.
O paciente é um homem de 63 anos, com cardiopatia hipertrófica em estágio avançado, condição associada a um risco elevado de arritmias graves e morte súbita. Ele já utilizava um cardiodesfibrilador subcutâneo — equipamento que monitora o ritmo cardíaco e aplica choque elétrico automaticamente em caso de arritmias potencialmente fatais — e, no último fim de semana, recebeu o menor marcapasso do mundo.
Com apenas 2,5 centímetros de comprimento e cerca de 2 gramas, o marcapasso leadless é 93% menor que os modelos convencionais e não utiliza eletrodos (fios). O dispositivo é implantado diretamente no coração por meio de um cateter, em um procedimento minimamente invasivo, sem cortes cirúrgicos e com alta hospitalar no dia seguinte.
De acordo com o cardiologista e eletrofisiologista Ricardo Kuniyoshi, responsável pelo procedimento no Hospital Vitória Apart, a cirurgia representa um avanço importante no cuidado de pacientes complexos. “Pacientes com cardiopatia hipertrófica em grau avançado têm um risco muito alto de morte súbita. Em uma arritmia grave, muitas vezes não há tempo de esperar o socorro com um desfibrilador externo. Por isso, é fundamental ter um aparelho implantado, capaz de agir imediatamente”, explica o médico.

Tecnologia que salva vidas
O cardiologista conta que o paciente capixaba já havia utilizado, no passado, um dispositivo convencional com fios conectados ao coração que funcionava como marcapasso e cardiodesfibrilador, mas desenvolveu uma infecção grave, que se espalhou para os eletrodos e para o próprio aparelho, causando endocardite.
“Foi necessário retirar todo o sistema com fios. A partir desse momento, ele ficou extremamente vulnerável, podendo apresentar uma arritmia fatal a qualquer instante. Além disso, não era mais seguro implantar novos dispositivos com eletrodos, devido ao alto risco de uma nova infecção”, afirma Kuniyoshi.
Diante desse cenário, a solução foi associar duas tecnologias sem fio: o cardiodesfibrilador subcutâneo, implantado sob a pele na região do tórax, e o marcapasso leadless, colocado diretamente dentro do coração.
“Esses dois dispositivos representam o que há de mais moderno na eletrofisiologia. Eles funcionam sem fios dentro do coração, reduzem drasticamente o risco de infecções e oferecem proteção completa: o desfibrilador trata arritmias graves com choque, e o marcapasso evita que o coração pare ou bata lentamente demais”, detalha o médico.
O procedimento é considerado raro, já que poucos pacientes no mundo necessitam da combinação dos dois dispositivos. “É uma solução altamente especializada, indicada para casos muito específicos. Por isso, esse implante simultâneo de tecnologias sem fio é um marco para a medicina capixaba. No implante do leadless, não há cortes cirúrgicos nem necessidade de um período longo de recuperação. O paciente recebe alta no dia seguinte, com mais segurança e qualidade de vida”, conclui Kuniyoshi.
Por Luciane Ventura ou Bárbara Oliveira
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