Cachaça: segmento emprega 3 mil no ES

Adão Celia: cachaça capixaba é referência pela regularização do setor. Foto: Lissa de Paula.

A importância da cachaça como segmento econômico e medidas adotadas para tornar a bebida capixaba referência em qualidade foram ressaltadas na Tribuna Popular desta segunda-feira (2). As informações foram dadas pelo diretor da Associação de Produtores de Cachaça artesanal do Norte do Espírito Santo (Aprocana), Adão Celia.

Segundo ele, o setor emprega 3.000 pessoas aqui, geralmente em negócio familiar, e 600 mil em todo Brasil – com arrecadação nacional de R$ 14 bilhões. Atrás apenas de Minas Gerais e São Paulo, o Espírito Santo é considerado o terceiro maior produtor.

Atualmente, informou Adão, há 170 produtores no ES, sendo que desses 74 estão legalizados com registro no Ministério da Agricultura (Mapa) e emitem nota fiscal e pagam impostos. Segundo ele, esse percentual de quase 50% de legalização contribui para que o produto daqui seja considerado referência.

“O Espírito Santo hoje é referência em produção de cachaça de qualidade no Brasil”, afirmou o convidado, que também produz cachaça. Conforme revelou, em Minas, por exemplo, existem quase 9.000 alambiques, dos quais apenas 400 são legalizados. “Para você ver como esse trabalho foi bem feito no estado”, pontuou.

Preconceito

De acordo com Adão Celia, estudos e pesquisas no Brasil realizados na área, que hoje conta inclusive com um laboratório de análise físico-sensorial na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), contribuíram para uma “revolução” na produção da bebida, um dia já considerada “muito inferior”.

Além da baixa qualidade, há outros motivos para esse preconceito contra a bebida, como o modelo de formação da sociedade brasileira. “A cachaça está muito ligada ao Brasil colônia”, avaliou, lembrando também a ligação da bebida com a sociedade escravagista e à pobreza.

“Esses conceitos são coisas do passado”, frisou. “O produto melhorou muito, é consumido por todas as classe sociais”, completou. A expectativa é que com o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia o a cachaça seja reconhecida pela Europa como produto genuinamente brasileiro. Atualmente é exportada para mais de 60 países, principalmente EUA, Europa e Ásia.

Responsável pela indicação do convidado à Tribuna Popular, Doutor Hércules (MDB) cobrou mais incentivo governamental na área para que o produtor capixaba não seja prejudicado pela cachaça de outros estados. “Temos que mostrar bastante claro para que é preciso que haja incentivo para o fabricante comprar mais máquina, para dar mais emprego”, destacou.

Por Marcos Bonn | Ales.

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