Especialista propõe parceria público, privada e cívica para questão hídrica

Foto: La Imagem.

O pesquisador da Academia de Ciência e Tecnologia do Nepal, Dipak Gyawali, defendeu maior envolvimento da sociedade civil na formulação de políticas públicas para a questão hídrica. “Temos ideia de que só os governos criam políticas, mas o mercado influencia nas tomadas de decisões e esquecemos do lado cívico, da sociedade civil. Se não mudarmos isso, as soluções que nós, cientistas e políticos, propusermos não irão funcionar”, afirmou.

Gyawali foi Ministro de Recursos Hidrícos do Nepal e um dos autores do relatório “Floresta e água em um planeta em mudança: vulnerabilidade, adaptação e oportunidades de governança”, organizado pelo Painel Global de Especialistas em Florestas. O pesquisador Meine van Noordwijk, do World Agroforestry Centre, também é um dos autores e palestrou com Gyawali na plenária Interações entre água, solo e florestas no último dia do XXV União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO), em Curitiba.

Segundo Gyawali existem algumas verdades inconfortáveis no meio científico que precisam ser enfrentadas, a parceria público-privada cívica é uma delas. “É um processo um pouco mais demorado, no entanto, duradouro. A outra verdade inconfortável é que no contexto das mudanças climáticas os cenários são muito precisos ao prever o aumento na temperatura, mas não há estimativas quanto à precipitação”, disse.

Meine van Noordwijk reforça essa abordagem, o debate sobre a relação entre água e florestas deve incluir ainda aspectos relacionados às pessoas e ao clima. “As políticas e os debates sobre florestas e clima devem ser re-alinhados sob a perspectiva da questão da água: as ações e preocupações locais alinhadas com as necessidades globais”, declarou Noordwijk.

O coordenador da planária, o presidente da Academia Chinesa de Estudos Florestais, Shirong Liu afirmou que a tendência é a questão sobre recursos hídricos tornar-se cada vez mais intensa. “Atualmente, o debate científico foca muito nas emissões de carbono, mas a crise hídrica será muito mais desafiadora”, concluiu.

Por Priscila Viudes | Embrapa Florestas.

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