Painéis do Bahia Energy Meeting traçam linha do tempo do mercado eólico baiano

Bahia Energy Meeting. Foto: João Ramos.

Dos primeiros entraves até a construção e a consolidação do mercado eólico da Bahia. Esse foi o eixo central do primeiro dia do Bahia Energy Meeting, que reúne até a próxima quinta-feira (5), os principais setores da economia, membros da iniciativa pública e privada para discutir sobre os desafios e avanços na produção de energia renovável do estado.

Com o tema “O desafio dos pioneiros”, representantes do setor eólico apresentaram as principais dificuldades enfrentadas no desenvolvimento do segmento na Bahia ao longo desses 10 anos.  

“A maior dificuldade foi encontrar regularidade fundiária para que os projetos pudessem atender às normas regulatórias, georeferenciada, certificada. Na parte ambiental não havia um termo de referência que citasse qual seria o ritual necessário para obter o licenciamento ambiental de um parque, por exemplo.  Mas isso tudo foi vencido e hoje o Estado ocupa um lugar de vanguarda no que diz respeito ao licenciamento ambiental dos projetos”, revela Clécio Eloy da Casa dos Ventos.

Eloy, ainda lembra o tempo em que a Bahia ficou fora do circuito de novos projetos em função falta da capacidade de escoamento, mas com trabalho realizado para estruturação do Estado com novas linhas de transmissão, hoje a Bahia apresenta mais capacidade de conexão do que outro estado do país.     

De acordo com Sídio Oliveira, da Sowitec, ser pioneiros é estar diante dos desafios de peito aberto, sem saber o que vai encontrar pela frente. Quando a gente faz uma retrospectiva, tinham poucas empresas atuando no mercado, a presença de multinacionais que estavam acostumadas com os mercados europeu e norte-americano, mas não entendiam como funcionava o mercado no Brasil. Hoje, o cenário é de empresas que se consolidaram aqui no país, empresas nacionais que cresceram, e o surgimento de novas empresas, com um potencial incrível ainda a ser explorado”, conclui. 

Também participaram da mesa, Adelson Ferraz (Brennand Energia), Adriano Gouveia (Neoenergia) e Rafael Cavalcanti (Quito), sob a mediação do secretário de Infraestrutura do Estado da Bahia, Marcus Cavalcanti.

A Consolidação da Cadeia de Valor

Para Roberto Miranda, diretor comercial da Torres Eólicas do Nordeste, responsável há 10 anos pela negociação que resultou no primeiro protocolo de intenções de uma fábrica de aerogeradores no estado, há sempre uma disputa entre metálica e concreto

“O nosso desafio ainda é logístico, porque o Brasil tem sido o palco mundial da extraordinária capacidade eólica com alto rendimento. As novas máquinas estão sendo testadas aqui, e são muito grandes com algo próximo a 6 MW de potência e pás acima de 70 metros. Então existe um enorme apetite das indústrias fabricantes de aerogeradores, mas o Brasil precisa de ponte, precisa de estrada, precisa de viaduto, de apoio do governo para batedores”, ressalta.

De acordo com Álvaro Carrascosa, diretor da Von Glehn Consultoria, nesses 10 anos temos muito a comemorar, mas para os próximos 10 anos também tem muitos desafios. Os equipamentos que são fabricados hoje no Brasil são os mesmos fabricados na europa, nos EUA, na China, com a mesma qualidade e a mesma tecnologia, mas ainda temos uma infraestrutura muito frágil, com muitas dificuldades”, conclui Carrascosa, que ainda destaca – “A Bahia a nível mundial é a número 1. A Bahia teria capacidade de alimentar o Brasil inteiro, talvez a américa do sul toda”.  

Para mediar o painel, o BEM convidou o superintendente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia, Paulo Guimarães. Também participaram do debate, Carlos Alves (Nordex-Acciona) e Luiz Brunetti (GE).

Sobre os Aspectos do Mercado Eólico Atual

Bahia Energy Meeting. Foto: João Ramos.

Os painelistas destacaram a maturidade do setor na Bahia e o potencial de recursos naturais do estado. Também foi discutida a atuação no mercado regulado e no mercado livre que é a tendência. O crescimento da demanda do mercado é uma oportunidade e a necessidade da contínua evolução da tecnologia das empresas que integram a indústria é fundamental para que possam atuar na cadeia produtiva.

As apresentações ficaram por conta de Amaury Neto (Voltalia); Francine Pisni, (AES Tietê); Guilherme Ferrari, da Engie e Raíssa Lafranque, da EDF. A mediação do painel foi de Élbia Gannoum, da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABeeólica).

A Construção da Próxima Década

Para encerrar o primeiro dia de evento, subiram ao palco, Elbia Gannoum, a presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Guilherme Arantes (BNDES), Guilherme Sari (Sidieólica Rio Grande do Sul) e Sinval Zaidan Gama (Operador Nacional do Sistema). A mediação ficou por conta de Wagner Freire (Canal Energia). 

Segundo os analistas, a expectativa para os próximos 10 anos da energia eólica no país, é de que os projetos sejam híbridos (associação entre energia eólica e solar), o mercado seja livre e novos projetos de armazenamento de energia vão se consolidar. A expansão esperada é 15 GW em 2019 para 39 GW em 2029.

Debates durante o Bahia Energy Meeting. Foto: João Ramos.

Para esta terça-feira (4), a programação prevê debates sobre “O Panorama do Mercado de Energia Solar Fotovoltaica”, “As Potenciais Mudanças para a Regulação da Geração distribuída”, “Aspectos Relevantes para a Expansão do Mercado Fotovoltaico”, “Os Novos Arranjos Técnicos-Comerciais e Soluções para Geração Distribuída” e “Desenvolvimento, Construção, Operação e Manutenção de Grandes Usinas”. 

O Bahia Energy Meeting, reúne até a próxima quinta-feira (5), os principais setores da economia, governo e centros de estudos ligados a produção de energia renovável do país. O encontro segue até o dia 05 de dezembro no Senai Cimatec, em Salvador, e conta com a participação de gestores públicos, empresários e profissionais do segmento.

Por Bruna Sant’Ana.

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