Canoa havaiana: remadores irão de Arraial D´Ajuda (BA) a Niterói (RJ)

Eles integram a quarta edição da Expedição Anamauê que promete ser uma das maiores navegações do Brasil neste tipo de barco | Foto: © Douglas Moura / Instagram (@anamauevaa)

Liderados pelo niteroiense Douglas Moura, experiente remador de 39 anos, e pelo capixaba Ranin Thomé, seis atletas remadores e velejadores partem numa canoa havaiana V6 adaptada com vela, para mais um desafio no Oceano Atlântico e pela costa do Brasil.

Eles integram a quarta edição da Expedição Anamauê que promete ser uma das maiores navegações do Brasil neste tipo de barco. Os velejadores e remadores vão partir no dia de Natal, dia 25, ou no dia 26, de Arraial D´Ajuda, no sul da Bahia, na base da Canoa Para o Povo, a CPP, com direção ao sul, com objetivo de ficarem entre 20 e 25 dias de navegação até Niterói (RJ), com chegada prevista para a praia de Jurujuba na sede do Centro de Estudos do Mar – CEM onde está sendo feito todo o planejamento logístico da travessia. Caso consigam atingir o desafio, seriam cerca de 650 milhas náuticas cumpridas.

A tripulação planeja velejar cerca de 30 até 35 milhas náuticas por dia. A depender do vento e condições do mar, poderia levar cerca de quatro até seis horas por dia de navegação sem o auxílio de aparelhos eletrônicos ou GPS. Eles levarão alimentação e suas respectivos colchões de dormir na canoa havaiana e irão dormir em bases ao longo do sul da Bahia, Espírito Santo e o estado do Rio de Janeiro. Quando necessário vão se alimentar no mar.

Douglas e o parceiro Tavo Calfat são de Niterói enquanto que Daniel Gnone do Rio de Janeiro. Ranin Thomé e Dyana Gualberto são de Regência (ES), mas tem base em Vitória (ES), assim como Bárbara Guimarães que nasceu em Sto. André (SP), mas se radicou na capital capixaba.

Não é a primeira vez que Douglas comanda a Expedição Anamauê. No fim de 2017 e começo de 2018, ele e tripulação ficaram perto de 10 dias navegando saindo de Niterói (RJ) com chegada em Santos (SP) de canoa havaiana. Nos anos seguintes, a Anamauê realizou expedições de Santos (SP) para Ubatuba (SP) e de Ubatuba (SP) para a volta na Ilhabela (SP) e São Sebastião (SP).

“Ano passado me aproximei do Ranin Thomé e levantamos a possibilidade de fazer uma expedição juntos. Estreitamos a amizade durante a quarentena e decidimos fazer a travessia. A primeira dúvida seria para onde. Inicialmente seria de Vitória (ES) até Niterói (RJ). Ele tem base em Vitória (ES). Só que aí chegamos a conclusão que seria melhor velejar. Se não formos remando queríamos um local ainda mais distante, maior que já fiz. Então pensamos onde tínhamos base, que é Arraial D´Ajuda. Pensamos que é uma loucura, mas vamos encarar essa loucura juntos. Começaram a planejar e quando foi outubro batemos o martelo. Chamei o Tavo Calfat que é o camarada do CEM, divide o espaço comigo, entende muito de vela. Daniel Gnone é o nosso mascote, moleque mais jovem da expedição e chegou para somar e o Ranin escolheu a Bárbara que é instrutora dele e a namorada dele, a Daiana que tem todo esse currículo. Iremos velejando em nossa canoa havaiana adaptada, mas quando preciso também remaremos”, disse Douglas Moura.

“Nosso sonho, nosso marco é chegar em Jurujuba, em Niterói, esperamos chegar. O bacana é navegar durante 20, 25 dias deixando o vento levar, um sentido filosófico e de aprendizado que só o mar proporciona a todos nós”.

Tripulação:

Douglas Moura, natural de Niterói (RJ), mora em Jurujuba, tem 39 anos, fundador do Icarahy Canoa Clube, Niihau Aventuras Controladas e do Centro de Estudos do Mar. Capitão Amador, co-fundador do Anamauê e desbravador de diversas rotas de navegação de canoa havaiana e polinésia. Ele é atleta de Canoa Havaiana desde 2005. Em competição disputou provas como a Rio VAA, Santo Amaro, Vendee VAA (maior da europa e 2ª maior do mundo, na França), Vancouver Island Challenge (Canadá); Lotus VA`A Challenge.

Ranin Thomé, 31 anos, natural de Regência (ES), é oceanógrafo, instrutor e atleta de Va´A, do clube CPP Extreme. Apaixonado por canoa polinésia e com experiência em velejadas, construção de canoas e longas travessias.

Dayana Gualberto, de 33 anos, reside em Regência (ES) . Professora e instrutura de Va´A do CPP Extreme . Idealizadora do projeto social Cablocos para o Planeta , experiências em travessias de vela oceânica e canoa polinésia.

Tavo Calfat, natural de Niterói (RJ), 47 anos, desenhista industrial, velejador desde os sete anos e remador de canoa desde os 2007. Passou boa parte da vida em barcos à vela, já realizou travessias oceânicas e inúmeras travessias menores. Na canoa tem títulos na Volta de Ilhabela (SP) e Rei de Búzios (RJ) onde mora hoje em dia.

Daniel Gomez Gnone, 25 anos, natural do Rio de Janeiro. Engenheiro de Produção. Fundador do Granolas Mauka e remador do Calango Wa´A. Amante da natureza e do Va´A, tendo sido criado em contato com o mar, desenvolve projetos de reciclagem de plástico para a produção de peças para navegação.

Barbara Guimarães, de 29 anos, nasceu em Sto. André (SP), se radicou e, Vitória (ES), é oceanógrafa, instrutora e atleta de Va´A, do clube CPP Extreme . Apaixonada por canoa havaiana e com experiência de longas travessias.

História do esporte Canoa Havaiana

Canoa Havaiana ou Polinésia, são nomes para determinar o esporte que surgiu na região polinésia e que originalmente é conhecido como Va´A, Wa´A ou Waka. A cultura da canoa existe há mais de 3 mil anos e elas foram inicialmente usadas pelos povos polinésios com a necessidade de colonizar novas terras na região polinésia, conjunto de ilhas do Pacífico que incluem Tahiti, Havaí.

Os povos polinésios usavam canoas como meio de transporte entre as ilhas e cada povoado construía suas canoas com características locais. No Havaí, que possui mar agitado, as canoas possuem curvatura de fundo envergada, e no Tahiti, as canoas possuem formato mais alongado e cockpit fechado.

No Brasil a cultura da prática do esporte da canoa havaiana ou polinésia só aumenta no decorrer dos anos para travessias, expedições e competições com destaques para clubes de canoas no litoral do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. Somente em Niterói (RJ) são 33 clubes de canoa com cerca de dois mil remadores. No Espírito Santo são 21 clubes, cerca de 1.500 remadores.

Por Gallas Press


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