
Uma pausa. Um silêncio. A pandemia da covid-19 atravessou a vida e o samba, interrompeu a marcação dos surdos, emudeceu as cuícas, desalinhou repiques e caixas, interrompeu a alegria de chocalhos e tamborins. Ficaram os tambores que todo sambista tem dentro do peito na expectativa da vacina, do retorno, de ouvir de novo o apito do mestre de bateria, o grito da agremiação na voz dos intérpretes.
No coração de suas comunidades, as escolas de samba não pararam. Recolheram-se quando lhes foi pedido, mas mantiveram-se guardiãs do sonho coletivo de um povo, construído a muitas mãos, que é o desfile na passarela do samba, fonte de renda e trabalho para tantas famílias.
Em meio às ações sociais que as agremiações fortaleceram ao longo da pandemia, nasceram os novos enredos, foram compostos os sambas, carnavalescos criaram as fantasias e alegorias que vão colorir o Sambão do Povo por três noites: hoje (07), amanhã (08) e sábado (09).
Como muito bem nos ensinaram Baden Powell e Vinícius de Moraes, “o bom samba é uma forma de oração”. E na procissão da cultura popular, com a vacina no braço, os barracões redescobriram o brilho e as formas que moldam sonhos em alegorias. Os ateliês, às vezes de uma costureira só, às vezes de muitos pares de mãos, não hesitaram a modelar, cortar, alinhavar, até tirar do papel as fantasias.
Os pavilhões estão novamente prontos para ser desfraldados e reverenciados por público e jurados. As surpresas das comissões de frente aguardam apenas a pista liberada para acontecer. Os instrumentos estão outra vez afinados. Sem nunca esquecer aqueles que perdemos, sopra o apito do mestre, abram alas para o povo do samba festejar a vida! O carnaval do Brasil começa aqui, sinal verde para o Carnaval de Vitória!
Ordem dos desfiles
Dia 07 (hoje): Grupo B
- Unidos de Barreiros: “Nzinga, rainhas, guerreiras, negras”
- Independente de Eucalipto: “Pássaro de fogo”
- União Jovem de Itacibá: “Nossos poetas decantam aspectos, facetas e elementos das quatro estações do ano: uma ode sublime às forças da natureza, à cultura e à vida”
- Mocidade Serrana: “Favela – Berço do Samba e da Imperatriz”
- Tradição Serrana: “A Mágica do Saber, a Tradição conta para você”
Dia 08 (amanhã): Grupo A
- São Torquato: “Misteriosa Atlântida: Lenda ou Realidade?”
- Chega Mais: “Eu quero botar meu bloco na rua”
- Chegou O Que Faltava: “Chegou a realeza dos campos dourados que alimentam a história. Sustendo da vida”
- Mocidade da Praia: “Solis, o alvorecer da humanidade”
- Rosas de Ouro: “Gênesis – momentos da criação”
- Pega no Samba: “Abayomi”
- Império de Fátima: “Uma índia, um negro, diferentes crenças, costumes e rituais… Um conto Tupi Yorubá”
Dia 09 (sábado): Grupo Especial
- Jucutuquara: “O povo inteiro vai saber, é Jucutuquara que vem lá”
- Imperatriz do Forte: “Em busca do 10”
- Novo Império: “Santo Antônio, Olhai por nós”
- Boa Vista: “O pássaro de fogo traz a boa nova… É tempo de amar!”
- MUG: “O Leão em caravana traz ao palco da folia a imagem e a semelhança com um quê de fantasia”
- Piedade: “Da riqueza do café, sua força e majestade”
- Andaraí: “Mulembá”
Por Brunella França
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