Tapetes de Castelo atraem cerca de 100 mil visitantes

Festa religiosa está entre as 10 maiores do gênero do Brasil e cobre mais de 5 mil metros quadrados com tapetes feitos nas ruas com materiais como pedras e pneus

Autoridades municipais e estaduais prestigiaram uma das maiores festas religiosas do Estado | Foto: JV Andrade

Arte, união e religiosidade marcaram a 60ª edição da Festa de Corpus Christi de Castelo, região sul do Espírito Santo, nesta quinta-feira (08). Com cerca de 2,5 quilômetros de extensão, os tapetes confeccionados pela comunidade encantaram o público visitante, estimado em 100 mil pessoas. Juntos, o governador Renato Casagrande (PSB) e o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (Podemos), percorreram todo o circuito religioso.

Assim como o público que bateu os recordes de expectativas da organização, o número de voluntários também cresceu. São três mil pessoas diretamente envolvidas, sem contar os outros cerca de dois mil colaboradores indiretos. “Os tapetes são artisticamente belos, mais a maior beleza mesmo está no gesto de união de nossa comunidade. Temos voluntários que atuam desde quando começamos e hoje trazem os netos para continuar a tradição”, disse o pároco de Castelo, Frei Antônio Bueno.

Trabalho Voluntário

Dentre os voluntários históricos está o governador Casagrande, que nasceu em Castelo. “Eu acho que nunca faltei a nenhum evento, desde que começou. Meus pais me traziam para ajudar a fazer os tapetes. Hoje eu apoio a festa como governante. Faço questão de estar sempre aqui para prestigiar esse que, além de ser patrimônio religioso e cultural do nosso Estado, é também um importante instrumento para fortalecimento econômico da região”, afirmou.

Assim como o chefe do executivo estadual, muitos castelenses que saíram da cidade para trabalhar ou estudar voltam para rever os familiares nesta época do ano. “A festa é tradição e traz as famílias de volta para casa. É um grande reencontro. Além de contar muito para fortalecimento de nossa espiritualidade, também movimenta a economia. Estamos com hotéis lotados, feiras das entidades, de artesanatos, de gastronomia de agroturismo, dentre outras atividades comerciais. É uma superestrutura para atender aos visitantes”, contou o prefeito João Paulo Nali (PTB).

O presidente da Assembleia, deputado Marcelo Santos, ficou impressionado com a beleza dos tapetes e a estrutura do evento. “Esta é uma cidade contemplada com obras estruturantes do estado, executadas pelo governo, mas votadas e aprovadas pela Assembleia Legislativa. E é muito bom ver que aqui tem religiosidade, agroturismo, artesanato e esportes de aventura. Um verdadeiro mosaico de atrativos para turistas de todo o Brasil e também estrangeiros”.

Estrutura

Este ano, o tema da festa foi  “Pão em todas as Mesas” e para a confecção dos tapetes foram utilizados 45 toneladas de pedras e 15 toneladas de restos de pneus. Também estão entre os materiais: palha e pó de café, pó de serra, folhas, flores, areia, papel, entre outros.

E a edição de 2024 já está sendo concebida desde o fim da festa desse ano. “Iniciamos o planejamento com a avaliação do que deu certo e do que precisa melhorar. Fazemos até pesquisa para trazer soluções melhores”, explicou o integrante da coordenação-geral, José Ângelo da silva Campos.

Com o crescimento do Corpus Christi de Castelo, o que precisa ser reavaliado é o sistema hoteleiro. É o que pensa o secretário de Turismo do Estado, Wemerson Meireles. “É uma celebração extremamente importante, especialmente para a região. Ele oportuniza geração de renda para muitas famílias. Nosso desafio é sempre receber bem o turista para que ele possa continuar prestigiando a festa. E vamos trabalhar para que tenhamos ainda mais disponibilidade de hospedagem nas próximas edições”, afirmou.

Tradição

A celebração de Corpus Christi com confecção de tapetes faz parte do calendário católico. De acordo com a crença religiosa, nesta data, o Corpo de Cristo se transforma em alimento para os homens. Em Castelo, a tradição de cobrir as ruas com ornamentos começou em 1963 com Vicência Zuleide Pereira da Silva, conhecida como Irmã Vicência. No início era só um pequeno quadrado feito com flores e folhas verdes. Ao longo dos anos, a ornamentação foi ganhando voluntários e preenchendo as ruas. Até se tornar o que é hoje: uma das maiores celebrações religiosas do Brasil.

Por Patrícia Bravin


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