De acordo com a especialista, os pais e responsáveis devem encarar a seletividade alimentar como transitória e oferecer o alimento várias vezes com paciência e determinação

Quando a criança apresenta seletividade alimentar, ou seja, quando ela rejeita determinados alimentos, garantir uma nutrição saudável, que proporcione o desenvolvimento adequado dela, se torna um desafio ainda maior. No entanto, essa fase pode ser superada com paciência, determinação e conhecimento por parte dos pais.
A pediatra Heloísa Helena Ramos Gonçalves explica que o primeiro passo é conseguir identificar quando a seletividade alimentar está acontecendo. A médica explica que ela ocorre quando a criança apresenta pelo menos um dos seguintes comportamentos:
- – Recusa ou baixa aceitação alimentar, principalmente de hortaliças e frutas;
- – Pouco apetite e desinteresse pela comida;
- – Dificuldade em experimentar alimentos novos;
- – Aceitação de pequena variedade de alimentos ou de marcas, pouca diversificação no modo de preparo e apresentação específica, exigindo dos pais a disponibilidade de seus alimentos preferidos;
- – Agitação, choro ou reação agressiva no momento das refeições;
Identificado o problema é o momento de agir! O segredo está na persistência. “Se a criança criar bons hábitos alimentares, será muito mais fácil mantê-los pelo resto da vida”, alerta Heloisa. A médica explica, por exemplo, que a dificuldade em aceitar alimentos novos, chamada de neofobia, é um comportamento natural que começa aos 18 meses e se resolve com exposições repetidas ao alimento”, diz Heloisa.
Outro comportamento comum é a preferência pelo sabor doce. “O sabor doce é inato ao ser humano, já os demais sabores precisam ser aprendidos. Para aceitar um novo alimento, a criança pode precisar experimentá-lo de 8 a 15 vezes”, destaca a pediatra.
Uma fase que costuma preocupar os pais é a pré-escolar, quando a criança pode apresentar comportamento alimentar imprevisível e variável. Ela pode comer muito em alguns momentos e quase nada em outros, ter um alimento favorito hoje, mas recusá-lo no dia seguinte ou mesmo pedir um único alimento por muitos dias seguidos.
Mas, segundo Heloísa, o importante é que os adultos considerem essas fases como passageiras. “Se os pais não considerarem esses comportamentos como transitórios e forçarem a criança a comer, os comportamentos poderão se transformar em uma dificuldade alimentar real e perdurar em outras fases da vida”, alerta a especialista.
Para garantir que a seletividade passe, a pediatra lista as principais dicas:
- – O apetite varia de acordo com a idade, atividade física, emocional, condições gerais de saúde, refeição anterior e a temperatura ambiente. Portanto, os pais devem determinar o que a criança vai comer ao escolher os alimentos que serão disponibilizados em cada refeição e a criança determina o quanto vai comer, de acordo com seu apetite;
- – Não estimule a “raspar” o prato, pois a criança pode perder a capacidade de perceber a própria saciedade;
- – Não ofereça recompensas, chantagens, subornos ou castigos para forçar a criança a comer;
- – Lembre-se: a recusa a determinados alimentos pode ser uma tentativa de chamar a atenção dos pais para algo que não está bem.
- – Sirva de cinco a seis refeições ao dia, com pequenas porções de alimentos. A rotina alimentar transmite segurança à criança e, ao evitar que ela “belisque” entre as refeições, permite que ela tenha mais apetite nas refeições.
- – Ofereça apenas água nos intervalos;
- – Evite porções grandes, pois podem “desencorajar” a criança a comer;
- – Limite as refeições a um período máximo de 20 a 30 minutos. Se a criança não ingerir tudo, não substitua por outros alimentos e aguarde a próxima refeição.
- – Faça as refeições à mesa com a família. Esse é um ótimo momento para a criança aprender a comer de acordo com o modelo dos pais. É importante que todos comam os mesmos alimentos.
- – A criança aprende a partir do que vê e escuta. Orientá-la quanto a uma alimentação saudável terá pouco efeito se elas virem que os pais têm maus hábitos alimentares.
– No horário das refeições, todos devem desligar a TV e outros equipamentos eletrônicos. - – A criança deve ser encorajada a comer sozinha, mas com supervisão para evitar engasgos.
- – Inclua frutas e vegetais em todas as refeições e limite a preparação das “comidas favoritas”.
“Além disso, é possível envolver a criança na compra dos alimentos e apresentá-los de forma atrativa, variando texturas, cores e formas. Se as dificuldades para aceitar a alimentação persistirem ou a criança apresentar sinais de dor, desconforto ou medo de comer, procure o médico ou nutricionista. Mas é importante lembrar também que todo mundo tem direito a não gostar de alguns alimentos e isso não é um problema quando a alimentação é variada e esse alimento pode ser substituído por outros. Mas, para saber se a criança gosta ou não de verdade, é preciso deixá-la experimentar algumas vezes, em formas de preparo diferentes”, indica a especialista.
O que não fazer
Diante da recusa alimentar da criança, a preocupação e ansiedade dos pais podem levá-los a utilizar estratégias de alimentação inadequadas. Por isso, Heloisa Helena indica que os pais evitem:
- – Alimentar a criança durante o sono;
- – Brigar, ameaçar ou discutir no momento das refeições;
- – Forçar a criança a comer;
- – Usar distrações, como vídeos, brinquedos, etc;
- – Oferecer recompensas em troca da aceitação da comida, como um brinquedo, passeio ou sobremesa.
Por Maíra Mendonça
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