Salvador inaugura maior terminal de eletrocarga do país

O equipamento possui capacidade para carregar 20 ônibus simultaneamente

Fotos: Betto Jr. / Secom PMS

O município de Salvador, capital da Bahia, entregou nesta segunda-feira (18) o maior terminal de eletrocarga em área pública do Brasil, localizado ao lado da Estação Rodoviária do BRT, para uso exclusivo dos ônibus elétricos do modal. O equipamento foi inaugurado pelo prefeito Bruno Reis e pelo secretário de Mobilidade (Semob), Fabrizzio Muller, possuindo capacidade para carregar até 20 ônibus simultaneamente. A obra, feita com recursos do município, teve um investimento de aproximadamente R$ 4 milhões.

A nova estrutura tem 10 estações, com capacidade para atender dois ônibus cada. Os pontos, que podem chegar à potência de 160 kW/h cada, podem concluir o abastecimento completo de um veículo em até duas horas. A localização do terminal, ao lado de uma das estações mais estratégicas do BRT, vai permitir que os ônibus elétricos que compõem atualmente o modal da capital baiana sejam recarregados mais facilmente, sem que precisem se deslocar até as garagens, que ficam distantes das linhas.

O prefeito destacou o pioneirismo de Salvador com a obra, considerada essencial para mudar a matriz energética dos ônibus no país. “O transporte público sobre rodas no Brasil enfrenta hoje a maior crise da sua história. Com a escalada dos preços dos combustíveis nos últimos anos, a coisa comum é a gente ver empresas da área fechando as portas nas grandes cidades. Sem dúvidas, se a prestação desse serviço não trouxer inovação, não investir em tecnologia, ela não vai se sustentar”, disse.

Bruno Reis lembrou que o investimento não é apenas para o presente do transporte público, mas para o futuro. “Só a tecnologia, a inovação e os ônibus elétricos vão permitir que, no futuro, o transporte público sobre rodas possa sobreviver. E não estamos poupando esforços para que façamos isso aqui em Salvador. Justamente porque estamos com isso tirando um dos componentes que mais pesam no custeio do sistema, que é o diesel. Os estudos mostram que ele, sozinho, representa 26% de todo o custeio”, afirmou.

Com o terminal elétrico, será possível realizar as chamadas ‘cargas de oportunidade’, que ocorrem nos horários de menor demanda da operação. Ou seja, além das recargas feitas no período noturno, os ônibus elétricos poderão realizar abastecimentos rápidos, nos períodos entre-picos da manhã e da tarde, retornando para a operação com 100% de suas baterias recarregadas para iniciarem o período severo do final da tarde. Ao longo do dia, portanto, será possível abastecer até 40 veículos.

Pioneirismo

O secretário Fabrizzio Muller também destacou a necessidade do poder público investir para mudar a realidade do sistema. “A eletromobilidade no Brasil ainda é muito incipiente. Se a gente for olhar para a América do Sul, já temos cidades mais avançadas como Bogotá, que hoje tem 1,5 mil ônibus elétricos. O Brasil inteiro hoje tem apenas 90. São Paulo está entregando mais 50, mas ainda é muito pouco para o potencial do país. Acho que se o poder público não entrar de fato para ajudar nessa transição, que é o que nós estamos fazendo aqui, com 100% de recursos próprios, a gente não conseguirá chegar à eletromobilidade de forma consistente”, disse.

O titular da Semob afirmou que até então o maior terminal público de eletrocarga do Brasil era de São José dos Campos, com cinco estações de recarga. A capital baiana já tem a terceira maior frota do país, atrás apenas da própria São José dos Campos e de São Paulo. O planejamento da Prefeitura é que essa frota cresça e chegue a 30% da frota total prevista para o BRT, o que daria em torno de 50 ônibus.

Além disso, o município já está realizando os estudos para construir um segundo terminal de eletrocarga, desta vez na região da Estação da Lapa. “Os ônibus elétricos no Brasil ainda carecem de maiores incentivos. Não existem isenções de impostos para esses veículos, nem linhas de crédito que facilitem a aquisição deles por parte da iniciativa privada. Então, o que a Prefeitura está fazendo enquanto poder público é justamente investir na infraestrutura para ajudar que a iniciativa privada embarque e faça o sistema chegar aonde a gente quer”, afirmou Fabrizzio Muller.

Por Thiago Souza e Vitor Villar


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