Gandini quer valorizar professor negro com título de patrono da Educação capixaba

Gandini discursa na Assembleia Legislativa: deputado quer destacar o exemplo de vida do professor Amâncio | Foto: Assessoria parlamentar

Fabrício Gandini (PSD) lembra que, menosprezado pelos historiadores da literatura produzida no Espírito Santo, o educador Amâncio Pinto Pereira (1862-1918) foi o mais importante escritor de sua época, segundo a Academia Espírito-Santense de Letras, apesar de seu nome e sua obra serem, ainda hoje, desconhecidos pela maioria da população capixaba

A maioria dos capixabas possivelmente nunca ouviu falar em Amâncio Pinto Pereira (1862-1918). Trata-se do professor, jornalista, historiador, escritor, o mais importante de sua época, tendo escrito poemas, contos, novelas, romances, artigos, almanaques, didáticos, e se consagrou como dramaturgo, por suas comédias, dramas, revistas e operetas, encenados nos teatros de Vitória por mais de 30 anos, de 1890 a 1920.

Professor Amâncio participou da vida cultural de Vitória em toda a sua existência e formou uma geração de capixabas amantes da história e da cultura. No entanto, seu nome e sua obra, ainda hoje, são desconhecidos pela maioria da população capixaba.

Para dar o devido reconhecimento à vasta obra literária, informativa e didática deste professor primário, negro e abolicionista, o deputado estadual Fabrício Gandini (PSD) aprovou, na Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, o projeto de lei de sua autoria que declara o educador Amâncio Pinto Pereira Patrono da Educação no estado do Espírito Santo.

“Por sua origem humilde, sem ter escolarização superior e ser descendente de negros, sofreu discriminação social, cultural e racial e, talvez por isso, sua obra, sobretudo a literária, tenha sido menosprezada pelos historiadores da literatura produzida no Espírito Santo, em todos os tempos”, declarou o doutor em Letras, pesquisador da Literatura e História do ES e presidente de honra da Academia Espírito-Santense de Letras (AEL), Francisco Aurélio Ribeiro.

Amâncio publicou os seguintes livros: Noções abreviadas de Geografia e História do Espírito Santo, em cinco edições, a primeira datada de 1894 e adotada, como as demais, pela Diretoria da Instrução Pública do ES; Almanaque do Espírito Santo, o primeiro em 1899, o segundo, em 1918, e o terceiro, edição póstuma, em 1919; Traços biográficos, 1897; Folhas avulsas, 1895; Folhas dispersas, 1896; Humorismos, contos, 1897, Benevente, cidade de Anchieta, c.1900.

Também são de sua autoria: Na lua de mel, comédia, 1895; O tio Mendes, comédia, 1897; O engrossa: Virou-se contra o feiticeiro, comédia, 1890; Apuros de um marido, comédia em um ato; Jorge ou perdição de mulher; novela; Homens e coisas do Espírito Santo, em dois volumes, o primeiro datado de 1897 e o segundo em edição póstuma; Datas espírito-santenses, em dois volumes, o primeiro publicado em 1909 e o segundo em edição póstuma.

“Pode-se dizer que a obra escrita e publicada do Prof. Amâncio Pereira, de 1888 a 1918, foi um grande ‘Almanaque do Espírito Santo’, pois ela compreende de tudo um pouco: teatro, romance, biografia, geografia, história, poesia, crônica, moral e civismo, o que o fez o principal escritor de sua época”, escreveu Ribeiro.

De acordo com o presidente de honra da AEL, “Amâncio Pereira complementava seu parco salário de professor primário com a venda de suas obras. Sua família era grande, tinha vários filhos pra criar, além de idosos familiares a quem cuidava e não podia se dar ao luxo de publicar por vaidade, para deleite próprio ou dos amigos. Ele precisava vender suas obras para sobreviver e criar sua família”.

Desde 1888, quando publicou sua primeira peça teatral, Deomar, drama em três atos com temática política, Amâncio Pereira fez da literatura uma aliada para expressar sua imensa criatividade, sua visão de mundo abolicionista, republicana e crítica da burguesia no poder, e, também, seu ganha-pão.

O deputado Gandini lembrou que conheceu a obra de Amâncio por meio do advogado, professor e escritor Anaximandro Amorim e, ao descobrir o legado, aceitou criar o projeto que concede o título de patrono da Educação Capixaba “a um homem que venceu os desafios do seu tempo com os seus próprios méritos”.

“Elaborei o projeto de lei que declara Amâncio Pinto Pereira o patrono da Educação capixaba. E ele foi aprovado pela Comissão de Educação da Assembleia Legislativa. Caso também seja aprovado em plenário, será uma forma de valorizarmos de uma só vez o magistério e a raça negra!”, frisou o deputado estadual.

Por Gleberson


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