Cultura material afro-brasileira em debate proposto pela Galeria Homero Massena

Referência na pesquisa dos elementos artísticos de matriz africana no País, Heráclito ressaltou a importância da cultura do povo Bantu no Estado. Foto: Divulgação.

O artista, curador e professor baiano Ayrson Heráclito foi o convidado do Módulo I: Arte, Sociopolítica e Corporeidades, encontro que integra o Programa de Pesquisa e Formação da Galeria Homero Massena. O evento aconteceu nessa segunda-feira (22), no Palácio da Cultura Sônia Cabral, no Centro de Vitória. 

Referência na pesquisa dos elementos artísticos de matriz africana no País, Heráclito ressaltou a importância da cultura do povo Bantu no Estado, onde o legado cultural e artístico é visível pelos diversos saberes de tradições tão presentes no cotidiano. O congo, o jongo, o lundu, o ticumbi e a capoeira são exemplos de elementos da cultura Bantu no Espírito Santo.

“A cultura Bantu é importantíssima nesse complexo cultural que se transformou a cultura afro-brasileira. No período colonial, vieram várias Áfricas para o Brasil, inclusive para o Espírito Santo. Tivemos inúmeros africanos procedentes das regiões que habitavam os povos da cultura Bantu, onde atualmente estão localizados o Zaire, o Congo e Angola. Em outros Estados, por exemplo, vieram os que trouxeram a cultura Fon e Yorubana, oriundos da região que se localizam hoje, a atual Nigéria e o Benim. O meu trabalho temum foco específico em um complexo cultural africano, que se misturou nos navios negreiros e que após chegarem aqui reinventaram outras formas de sociabilidade”.

O artista também enfatizou a inserção e a produção de artistas negros no circuito das artes visuais brasileira nos últimos anos. “Eu acho muito importante a emergência destes artistas e a conquista de espaços expositivos e institucionais que veiculam e apresentam essa produção. A produção da arte afro-brasileira tem que ter e conquistar espaços”, destacou.

Ayrson Heráclito falou ainda sobre a curadoria da exposição Histórias Afro-Atlânticas no Museu de Arte de São Paulo (Masp), em 2018, em particular do núcleo “Rotas e Transes: Áfricas, Jamaica e Bahia”; assim como do seu processo de criação no projeto “Os Sacudimentos: a Reunião das Margens do Atlântico”. O projeto o levou a ser convidado pela curadoria central para participação da57ª Bienal de Veneza, na Itália, em 2017. 

Ele também comentou sobre seus futuros projetos. “Fui convidado recentemente para participar da 21ª Bienal de Arte Paiz, que será realizada na Guatemala, em agosto de 2020. E lá tem uma história muito interessante. Existe uma pequena comunidade de descendentes de negros vindos da África no período colonial da Guatemala que nunca foram escravizados. Estavam em uma carga de um navio negreiro que naufragou no Caribe. Eles sobreviveram e fundaram uma comunidade. É preciso pensar nessa cultura diaspórica em sua amplitude caribenha, brasileira, na América Latina, na Ásia e na América do Norte”.

Texto: Danilo Ferraz e Erika Piskac.

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