Curta-metragem de Vila Velha (ES) participa de mostra competitiva no Festival de Cinema de Gramado

Funcultura

Fotos: Divulgação/Secult/ES

O curta-metragem “Remendo”, de Roger Ghil, foi selecionado para a 51ª edição do Festival de Cinema de Gramado, no Rio Grande do Sul. O filme será exibido no dia 15 de agosto, dentro da Mostra Competitiva de Curtas Metragens Brasileiros – cuja curadoria ressaltou a diversidade e originalidade da produção como critérios que motivaram a seleção.

Considerado o maior festival de cinema ininterrupto do Brasil, sempre se adaptando a novas tendências do audiovisual e trazendo os novos olhares de um cinema brasileiro contemporâneo e em constante mudança, o evento já recebeu outras produções capixabas: “Macabeia” (2000), de Erly Vieira Jr; “No princípio era o verbo” (2005), de Virginia Jorge; e “Homens” (2008), de Lucia Caus.

Mais de uma década depois, com “Remendo”, um filme do Espírito Santo volta a ser exibido no prestigiado festival. Originário de Vila Velha, o curta-metragem se realiza como um meio de experimentação visual e sonora, ampliando as experiências em torno da obra e das ideias que provoca.

Os atores Markus Konká e Elídio Netto | Foto: Luara Monteiro

Sua narrativa apresenta fragmentos do cotidiano de Zé, personagem interpretado por Elídio Netto, um homem negro de meia idade que se dedica a consertar e remendar objetos e eletrodomésticos enquanto descobre que, na verdade, tenta remendar a si mesmo.

O filme fez sua estreia em janeiro de 2023, no 52º Festival Internacional de Cinema de Rotterdam, na Holanda, dentro da Ammodo Tiger Short Competition – importante janela competitiva daquele festival, na qual 25 filmes de curta-metragem competem por três prêmios de € 5.000 (cinco mil euros).

No Brasil, ainda em janeiro, a primeira exibição aconteceu na Mostra de Cinema de Tiradentes, um dos eventos mais importantes do calendário do audiovisual nacional. Na ocasião, a obra recebeu o prêmio de Melhor Curta-Metragem pelo Júri Oficial. Além disso, também recebeu o Prêmio Canal Brasil de Curtas, também concedido pelo júri do festival.

Passados mais de cinco meses desde sua estreia, “Remendo” já foi exibido em cinco estados brasileiros e em sete festivais internacionais. Além disso, passará ainda por importantes festivais dentro e fora do país: IV Mostra de Cinema de São Félix (Bahia), 5ª Mostra Quelly (Maranhão), 22ª Mostra Goiânia de Curtas, 34º Festival Internacional de Curtas de São Paulo, Kalaburagi International Film Festival (India), The African Film Festival (Texas), The Big Apple Film Festival (New York), entre outros.

A equipe no set de filmagens | Foto: Luara Monteiro

“Remendo” foi realizado com recursos do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura), da Secretaria da Cultura (Secult). De acordo com Roger Ghil, as políticas públicas de apoio cultural são importantes, sobretudo no setor audiovisual, que desempenha um papel fundamental na produção de novas visões de mundo sob a tutela do processo de descolonização de narrativas. 

“Ao direcionar recursos e implementar políticas de apoio, os governos podem estimular a criação de produções independentes que representem uma diversidade de perspectivas culturais e experiências sociais. Essa diversidade é essencial para romper com os padrões hegemônicos e eurocêntricos de representação, permitindo que vozes diversas e histórias há muito negligenciadas sejam ouvidas e compartilhadas”, afirma Roger Ghil.

Produtor executivo do curta-metragem, Izah Siham acrescenta que “Remendo” se estabelece como um processo criativo coletivo, no qual cada indivíduo contribui não apenas como profissional, mas também como artista – desde a equipe de direção e produção até a equipe técnica, colaboradores, parceiros e fornecedores do filme. 

“Essa construção só foi possível por meio da interligação entre a preocupação com o processo criativo e a saúde das relações estabelecidas enquanto equipe. A narrativa do filme coloca a diversidade em destaque, tanto na frente quanto atrás das câmeras, ao dar protagonismo a pessoas negras, à comunidade LGBTQIAPN+ e às mulheres”, observa Izah Siham.

Por Tiago Zanoli


Siga A IMPRENSA ONLINE no InstagramFacebookTwitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *