BioAS: rede de laboratórios é ampliada

A rede de laboratórios habilitados pela Embrapa a oferecer a tecnologia de Bioanálise de Solos (BioAS) foi ampliada. Agora 32 laboratórios de todas as regiões do Brasil estão oferecendo a bioanálise. Outros 30 iniciarão testes de proficiência em 2024. A Rede Embrapa BioAS, formada pela empresa pública de pesquisa e pelos laboratórios comerciais, permite que a tecnologia de Bioanálise de Solos esteja disponível para todos os agricultores do Brasil. Acesse aqui o contato dos laboratórios.

Lançada em 2020, a tecnologia de Bioanálise de Solo (BioAS) é uma ferramenta que permite ao agricultor alcançar avanços significativos na saúde dos solos das lavouras, uma vez que facilita a identificação das melhores práticas de manejo e, também, daquelas que podem vir a degradar o solo e comprometer a produtividade futuramente. Desenvolvida pela Embrapa Cerrados (DF), Embrapa Agrobiologia (RJ) e Embrapa Soja (PR), a BioAS inovou ao agregar o componente biológico à análise de solo, antes limitada aos atributos químicos e físicos, e colocou o Brasil na vanguarda desse tipo de trabalho.

A tecnologia consiste na análise de duas enzimas (beta-glicosidase e arilsulfatase) que estão relacionadas ao potencial produtivo e à sustentabilidade do uso do solo. Elas estão associadas, respectivamente, aos ciclos do carbono e do enxofre e funcionam como bioindicadores da saúde do solo. Quantidades elevadas desses bioindicadores indicam sistemas de produção ou práticas de manejo do solo adequadas e sustentáveis. Por outro lado, valores baixos servem de alerta para o agricultor reavaliar o sistema de produção e adotar boas práticas de manejo.

A tecnologia reúne hoje o maior banco de dados de atividade enzimática de solos do mundo, com informações de 30 mil amostras das cinco regiões brasileiras. São todas mensuráveis, rastreáveis e verificáveis e coletadas em 1020 municípios de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal. Hoje, o Brasil é o único país do mundo que possui parâmetros biológicos, calibrados em função do rendimento de grãos e da matéria orgânica, nas análises de solo.

Para se integrar à Rede Embrapa BioAS, os laboratórios passam por rigorosos treinamentos teóricos e práticos. A confiabilidade nos resultados gerados em todo o País é garantida pela padronização dos métodos analíticos e protocolos de amostragem de solo. Além disso, os laboratórios da rede se submetem a testes interlaboratoriais que asseguram padrões de excelência das análises.

Após a habilitação, esses laboratórios se conectam aos servidores da Embrapa por meio da plataforma web denominada Módulo de Interpretação da Qualidade do Solo da Tecnologia BioAS (MIQS). Além de interpretar os valores de atividade enzimática e matéria orgânica do solo, indicando se eles estão baixos, moderados ou elevados, a plataforma MIQS também calcula os Índices de Qualidade de Solo (IQS).

Os IQS são calculados com base nas propriedades químicas e biológicas em conjunto (IQSFERTIBIO) e separadamente (IQSBIOLÓGICO e IQSQUÍMICO). Além dos IQS, na bioanálise são avaliadas ainda três funções relacionadas à capacidade do solo de promover a nutrição das plantas: (F1) a capacidade do solo ciclar nutrientes; (F2) a capacidade do solo armazenar nutrientes; e (F3) a capacidade do solo suprir nutrientes. Como os IQS, os escores das funções também variam de 0 a 1, sendo que, quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho da função.

Os parâmetros de referência e tabelas de indicadores envolvidos na tecnologia BioAS são atualizados sistematicamente, com base na rede de experimentos da Embrapa de calibração e desenvolvimento dessa tecnologia. Com isso, os clientes dos laboratórios sempre terão laudos contendo resultados com interpretação atualizada pela Embrapa, safra a safra. Em outubro de 2023, uma análise de BioAS completa (ou seja, as duas enzimas, a análise de rotina de fertilidade do solo e a análise de textura do solo) custava cerca de 170 reais.

Em seu estágio atual, a BioAS está calibrada para atender às áreas sob cultivos anuais de grãos no Cerrado e no Paraná. Entretanto, tem sido utilizada com sucesso para avaliar a saúde do solo em outras culturas (cana, café, pastagens e florestais) e em várias regiões do País, incluindo o Norte, o Nordeste e os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. “Até o fim de 2024, com o desenvolvimento de novos algoritmos de interpretação, sua recomendação deverá abranger cultivos como cana-de-açúcar, café, pastagens e reflorestamento de eucalipto”, adianta a pesquisadora Ieda Mendes, líder do projeto Bioindicadores.

Por Juliana Caldas


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